terça-feira, 26 de abril de 2011

Sexo para todos

Tem um movimento querendo instituir o Dia do Sexo?! Sério?

Vou ter de dar uma de chato e perguntar: a gente precisa disso (ou, não tinham nada melhor para fazer)? Dizem, como SEMPRE, que seria um dia para discutir o assunto abertamente, levantar suas realidades e políticas, chamar a atenção para certas situações, ou seja, o velho discurso pedagógico, mantendo viva a estranha noção de que marcar um dia no calendário abriria as portas sociais do debate e da educação. Também tem todo aquele papo de que o sexo é vida, está em todos os lugares - ora, então para quê um dia específico disso no calendário?

Bom, esse papo me parece falso, pelo menos no sentido de que é pouco provável que surgisse mesmo um dia de debate aberto e frutífero: não é a nossa tendência... A primeira coisa que deve acontecer, acredito, é pessoas começarem a levantar a bandeira de "todo dia é dia do sexo", ou deveria ser. Bom, eu de fato concordo com isso. Nenhum dia deveria ser sexualmente destacado dos outros. E isso vai gerar uma piadinha que, mesmo bem intencionada, vai cansar: "Lá em casa dia do sexo é todo dia! Hahaha"...

Ainda que a desculpa seja pedagógica, logo será sim celebrado (pelo menos por um grupo significativo de pessoas) como um dia de uma trepada especial, em homenagem ao tal de "sexo", o que vai motivar também certas festas comemorativas não indicadas para menores (mas televisionadas, suponho). Se ganhar mesmo o gosto do público, o dia pode até ter uma parada só sua, com muitas "afrontas à mentalidade conservadora" e blablablá.

Supondo, como disse, que a "discussão" ganhe popularidade, a dita afronta seria mesmo validada por uma reação conservadora, muito antes de qualquer data ser votada. Ia se debater a exposição do sexo na nossa cultura, as resistências religiosas, os limites do Estado, as brincadeirinhas de bar feitas por políticos a respeito, a incompetência de políticos envolvidos na decisão (o que o CQC não deixaria passar)... aposto que apareceria de novo nos jornais gente que nunca transa e se considera superfeliz assim, bem como algumas conversas com padres e afins.

Medidas efetivas para educação sexual, assim como os programas do governo para tratar de quaisquer problemas nessa área, dependerão ainda de pessoas dispostas a botar a mão na massa e das velocidades e incongruências da mão governamental. Muitos assuntos que envolvem sexo, aliás, já têm bandeira própria, como Lei Maria da Penha, aborto, estupro, homossexualismo. O quadro geral, enfim, não tem grandes probabilidades de mudar com um Dia do Sexo, nem a cultura das pessoas a respeito. Conheço poucas pessoas que mudaram sua visão sobre beijos, amizades ou garis só porque existe um dia especial para cada um destes. No outro extremo da polêmica, a discussão sobre homossexualismo que busca mesmo uma mudança cultural tropeça de todas as formas que se vê nos jornais e na rede.

Improbabilidade de atingir o efeito ideológico que pretende e probabilidade de provocar uma série de discursinhos e debatezinhos extremamente enfadonhos... Para que criar um Dia do Sexo e promover que até esse assunto vire chato hoje em dia?

4 comentários:

Rafa Guerra disse...

kkkkkkkkk me divirto horrores com essa história de dia pra tudo.
Já se debate muito (exaustivamente) sobre o assunto. Isso realmente não é desculpa.

Pelo q eu entendi, o movimento q quer instituir o dia do sexo partiu de uma marca de camisinha. Isso explica muita coisa.

Tigre disse...

NOSSA! Se explica! Fico até mais tranquilo agora, rs. Terminando o dinheiro do marketing, pode ficar fadado ao esquecimento...

Vida disse...

Vi no Cheiro de Café que tem até dia do Pinguim... Rai ai, viu?

Tigre disse...

Rai ai?