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sábado, 14 de janeiro de 2012

Da Sbórnia


Ontem aproveitamos novamente Tangos e Tragédias, e devo dizer que valeu a pena ver de novo. Fazia mais de 10 anos que eu não ia, o que já estava ferindo a minha imagem por estas bandas. Felizmente o show sobreviveu por tanto tempo (quase 30 anos) e minha cunhada convidou-nos para seu projeto de apresentar a vida cultural característica da cidade para um casal de recém-chegados.

A novidade estava estava interessante: a participação do grupo Cuatro Vientos, de Buenos Aires. A noite correu bem, entre a tradição e as músicas com os convidados. Apesar da aparição discreta mas inoportuna no teatro de Ana Cristina, antigo amor do maestro Nico, tudo terminou bem. Reconhecemos a história da Sbórnia e sua música tradicional, bem como terminamos a festa na Praça da Matriz, como pede o figurino. Os últimos dias têm sido de constante chuva, mas Sâo Pedro, além de emprestar o teatro, conteve o chuvisco da noite na hora certa para podermos curtir a praça.

Enfim, para apelar a uma eloquência de Twitter: assistam!

Sbornianos em ação!

Cuatro Vientos

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Liverpool também é aqui

 

Eu costumo dizer que o que me chama a atenção nas diferentes culturas são suas proximidades, não suas distâncias, mas poucos filmes simbolizam tão bem o quanto somos parecidos por aí como Nowhere Boy (O Garoto de Liverpool). Não se assutem com a fala "Is nowhere full of geniuses, sir? Because then I probably do belong there". A fala pode ser útil para vender o filme, mas o vende de forma errada: este não é um filme de Mariah Carey; apesar do jovem pobre se formando na música, o filme não tem uma cena final com o primeiro grande show nem um texto final a respeito do sucesso da carreira. As cenas de banda no trailer são dos Quarrymen, não dos Beatles.

O filme é na verdade sobre um jovem que se sente duplamente abandonado, uma relação complicada disso com seu temperamento e a gradativa maturação que o coloca em choque com um comportamento que, mesmo sofrendo ele com o abandono, é num certo sentido sempre o de um mal agradecido. O que achei curioso é que reconheço ponto por ponto no comportamento dele ao longo do filme o gênio de outros jovens que viveram esse tipo de duplo abandono, em que a pessoa pode sentir que, num certo sentido, ninguém o quer. O único detalhe é que o filme fala sobre John Lennon na década de 1950 na Inglaterra, e eu só conheci pessoas reagindo dessa forma nesses primeiros anos do século XXI, no Brasil. São essas proximidades que me parecem relevantes quando comparamos diferentes culturas. Mude-se o figurino e as músicas, o filme poderia se passar em Porto Alegre.

sábado, 20 de agosto de 2011

Love quase censurado



Que susto levo hoje ao ligar na MTV (depois de... quantas décadas?) e ouvir um aviso de censura de 10 anos antes de tocar um clipe. E logo qual? Crazy Little Thing Called Love, do Queen! Como era de se suspeitar, o aviso de censura entrou no momento errado, sendo repetido logo depois do clipe para o programa que viria em seguida. Mesmo sendo essa a suspeita óbvia, nunca se sabe o quanto as coisas podem mudar numa emissora, certo? Ainda mais numa abandonada como a última a se tornar insuportável. De qualquer forma, resolvi postar o clipe erroneamente censurado. Aí está, para quem quiser recordar.

sábado, 11 de junho de 2011

SAVE FERRIS



Muito mais importante que Dia dos Namorados ou aniversário de celebridades, hoje "Curtindo a Vida Adoidado", mais conhecido como Ferris Bueller's Day Off, está fazendo 25 anos! Para marcar a grande data, um pouco de "Twist and Shout" direto do clip mais famoso da música!!!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Hipócrita para o teu próprio bem

Nunca tinha visto Glee até hoje. O primeiro episódio a que assisti foi "Blame It on the Alcohol", um dos dois que me foram indicados numa discussão recente a respeito de escola. Bom, apesar de ter entendido o porquê da fama do seriado, o que me chamou a atenção é algo que dificilmente deve justificar a preferência da maioria de seus fãs: a relação entre a escola e o moralismo que geralmente se quer encarnar nela está particularmente bem representada. 

Parece que um encaixe mal feito entre escola e "sociedade" (situação que caracteriza a instituição, pelo jeito, no mínimo desde os anos 1970) cria uma pressão constante para que não apenas tratemos de assuntos morais com os alunos, mas que cheguemos ao extremo de sermos hipócritas. A maioria dos professores (que conheço) tenta resistir, mas o ataque ou a pressão para que atinjamos a hipocrisia na sala de aula é tão variada e vem de tantos lados que às vezes não vemos saída em determinadas conversas com alunos a não ser ceder e declarar um moralismo simplista e exagerado que não poderíamos, em sã consciência, aplicar a nós mesmos.

Na verdade, essa hipocrisia me parece herança antiga; o que se estabeleceu por aqui mais ou menos nos anos 1970, provavelmente só ganhando peso significativo no seu fim, foi nossa visão de escola aderir a uma verdade bastante difundida no resto da cultura brasileira: não existem posições de autoridade monolítica (nas instituições brasileiras) - o que eu acho bom, aliás. Mas isso faz com que mesmo o mais passivo ser humano seja um aluno com mínimo senso crítico (pelo menos) quando o assunto é "afirmações de professores". O que acontece é que essa nossa fraqueza momentânea, esse ceder à hipocrisia que nos é exigida, vem nos atazanar no futuro, quando descoberta pelo estudante (e, mais cedo ou mais tarde, será). - É possível também que ele ou ela nos largue de mão de vez e nem venha nos cobrar por nossas palavras, o que é pior ainda, claro.

Enfim, há uma coisa estranha entre valores que a sociedade prega sem praticar e as cobranças e fantasias do senso comum (que governa, é claro, muitos professores, pedagogos e diretores ou vices) a respeito de como acreditamos querer educar as "crianças". O episódio do Glee em questão pega o problema do álcool e cria a situação ridícula (no sentido de cômica, além de absolutamente veraz) de adultos (que bebem, dã) querendo que os alunos encontrem uma música (!) para assustar toda a escola a respeito do consumo de álcool, a ser apresentada numa assembleia da escola. É claro que as bobagens de pessoas alcoolizadas e as mentiras que se contam cotidianamente sobre ou para o "controle" do uso de drogas em escolas figuram no roteiro. A série pode ter um aspecto de ficção em todos os detalhes, mas a estrutura e o tema são incrivelmente relevantes e complexos, o que foi uma muito grata surpresa.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Formando mentes criativas

Formaturas são sempre iguais, mas às vezes temos boas surpresas nos detalhes. Por exemplo, presenciei uma formatura altamente criativa, em que NENHUMA das clássicas e obrigatórias músicas foram tocadas. Praticamente não houve lágrimas, mesmo com a subida de uma mãe cadeirante para entregar o diploma à filha. 

Por outro lado nem tudo pode ser perfeito, e descontaram quase toda a inovação da cerimônia logo de início: abriram com os dois hinos na corrida e, pior ainda, a mesa entrou com a música do Rocky (não a Eye of the Tiger)!

domingo, 16 de janeiro de 2011

Chico Buarque, Paulo Coelho e a isenção crítica

Às vezes se discute (particularmente na Letras, concedo...) se a literatura é dominada pela política, ou o quanto a valorização estética da literatura, da arte em geral, de fato, deve às nossas alianças e crenças políticas. Países que valorizam bastante a língua tendem a valorizar muito a própria literatura também, do que a França é o exemplo típico, e isso gera uma série de discussões e análises especializadas que dão mais facilmente a impressão de não depender nada de se ser de esquerda ou direita, mas mesmo nesses casos tende a ser relativamente fácil encontrar, no fim das contas, certas crenças ou valorizações que denotam uma estranha "interferência", uma certa relação complicada e subreptícia entre o campo da política e o da literatura.

A semana passada deu dois bons exemplos para os defensores da tese: Chico Buarque e Paulo Coelho. Bom, sendo sincero (como quer o título do blog), o Chico não é assunto só da semana passada, mas vem se estendendo há um tempo. Esbarrei no caso dele de novo na semana passada, como vou explicar.

O caso do Paulo Coelho é o mais simples e óbvio. Mas me chamou a atenção pela forma como surgiu na minha frente: um colega apontou para a foto do escritor no jornal e disse "Tu acredita nesse cara? Vê se esse cara pode se chamar escritor!?", a que uma colega acrescentou com um tom que mesclava levemente medo e escândalo: "Tu viu que proibiram a obra dele no Irã?" Eu fiquei intrigado, porque só poderia ser política, ou religião, ou ambos, porque ambas se mesclam de forma particular no Irã. E eis que era política da mais simples e direta possível, sem um argumento religioso precisar se meter no meio, o que é difícil para a diplomacia internacional daquele país, pelo jeito. Para quem não ficou sabendo, o melhor resumo que conheço do drama até então está aqui.

Este, no entanto, é um exemplo muito simples, direto e extremo. O caso do Chico é mais interessante. Desde que ele disse que apoiaria a Dilma, tem virado assunto mais do que era comum nos meses anteriores. Não digo só na mídia, apesar de que tenho essa impressão também, mas vejo surgindo nas conversas mais ingênuas e sem pretensões. Absolutamente do nada alguém acha que é hora de falar mal do Chico. Só que não falam mal dele politicamente. Ou até falam, mas é detalhe. Vejo pessoal falando mal de suas músicas e de seus livros, sem argumento ou razão aparente (suspeito, não?). Não é que todo mundo deva gostar dele, é que todo mundo parecia gostar dele antes de seu apoio à Dilma. Quantas vezes não ouvi falarem que Chico era unanimidade? Bom, depois de apoiar uma presidente em eleição que dividiu o Brasil, não mais.

Agora, também não é que as pessoas que não gostavam dele "tenham finalmente tido a coragem de falar". Não: o pessoal apela para nada. De repente todo mundo esqueceu o que é eu-lírico, verossimilhança, ritmo, efeito, metáfora, mímese. O Reinaldo Azevedo, aliás, reclamou de uma imagem de uma música dele ser de Shakespeare! E tachou de plágio!? (Além de a reclamação ser bizarra e a "descoberta" merecer as aspas, para dizer o mínimo das duas, não existe nada mais seguro que ser acusado de plagear Shakespeare.) De repente o Reinaldo pára de criticar o governo para vir com esse papinho? Eu esperia mais, se não concordasse com a tese que alia estética e política intimamente.

Mas não estou comentando só a postura de "intelectuais" ou acadêmicos, quero dizer que as pessoas estão esquecendo seus instintos amadores para esses assuntos que têm nomes complicados na estética. Porque a gente pode nunca ter pensado em verossimilhança interna, mas ninguém acha absurdo que o Super-Homem saia voando para salvar a Lois Lane, se estiver vendo um filme chamado "Super-Homem". Ou, num caso mais aplicado, ninguém que preste atenção em três letras de músicas brasileiras vai achar que um intérprete não pode cantar uma música em que o eu-lírico é feminino sem caracterizar uma saída do armário.

Primeiro foi aquela "moralização do Jabuti", em que uma notícia mal saiu e, sem verificação ou conferência alguma, já tinha lista na Internet querendo que o Chico desse lição de moral na banca e entregasse o prêmio. Não estou dizendo que prêmios literários não devessem ser éticos. Deveriam, claro, imaginem um mundo maravilhoso em que isso fosse verdade sobre algum prêmio literário. Mas quantas vezes vocês já viram campanha pública para que o Jabuti fosse ético antes de o Chico se posicionar pró-Dilma? Com certeza não em 2008, quando confusão semelhante ocorreu. Aliás, entre o pessoal envolvido com o Jabuti, o Chico é mais um caso num histórico. Essa briga não é de agora. Se era para moralizar, por que não se começou logo com a campanha "Galera, devolvam os Jabutis"?

Bom, no caso, a retórica de campanha estava muito animada e pulou sem mediação das eleições para os reclames literários. Não pegou. Daí, o pessoal começou a questionar a estética do Chico. Não sei se o disfarce convenceu alguém. Eu acho difícil de engolir. E é claro que muitas de suas letras são ostensivamente politizadas. Ele não é exatamente um compositor tão arte pela arte como, digamos, Tati Quebra Barraco, autora de músicas voltadas ao cotidiano como "Dako é Bom", uma artista que, ao que me parece, não abriu seu voto. Letristas como ela não provocam abaixo-assinados virtuais reclamando postura ética, é claro.
 
Agora, na verdade, do meu ponto de vista, as pessoas não estão fingindo questionar a estética do Chico, estão mesmo fazendo isso. Porque eu concordo que nossos gostos tenham relações íntimas com nossas filiações políticas. Em geral isso não é tão claro quanto no caso do Paulo Coelho ou do Chico, mas os dois exemplos são bons para se começar a conversa (não estou dizendo, por exemplo, que todo o mundo que curtia o Chico e votou no Serra agora odeia as músicas do cara).

E é claro que o Chico não vai ser afetado drasticamente por essa recente tachação de "machismo", "mau-gosto", "plágio", "homossexualismo", "falta de voz" ou o que mais quiserem indicar em suas músicas como grande descoberta ou insight genial de crítica. Porque ele não é o verdadeiro alvo dessas pessoas. Quem tenho visto se manifestar a respeito, do que o Azevedo é o exemplo mais óbvio, está falando mal do Chico para criticar quem votou na Dilma. E é assim que a literatura sai da Academia para a vida. De vez em quando ela xinga a polícia, apoia um governo, louva um presidente, e então é algo a se debater. No resto do tempo, a única literatura que interessa, e não interessa disputar seu valor neste post, é a que vende um monte (e o Chico vende, mas não se compara), de preferência virando filme ou trilha-sonora. A literatura mais cult, digamos (permitam-me essa divisão grosseira por motivos didáticos), só vira assunto quando toma partido. E é quase engraçado quando a reação direta a essa tomada de partido se quer uma crítica "desinteressada" ou, com um eufemismo muito maldoso, "honesta".

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

E uma mulher engrossa as fileiras

Há um hábito bastante irritante se espalhando em Porto Alegre há um tempo, é o de pessoas escutarem músicas nos ônibus sem usar fones de ouvido. Tenho certeza de que não é um problema unicamente daqui, mas nunca tinha ouvido falar a respeito antes de testemunhá-lo. A música é geralmente ruim, mas qualquer música fica ruim saindo de um celular qualquer, sabe-se lá com que qualidade de arquivo (para começar). 

Na verdade, por algum motivo, esse é um costume exclusivo de quem ouve funk aqui. Comprovando isso muitas e muitas vezes, supus diretamente que fosse uma questão cultural de quem escuta esse tipo de música mesmo. Não digo apenas quem a dança (não que ache uma música dançável), mas aquelas pessoas que conseguem colocar funk como o fundo musical de uma conversa, ou algo para se distrair parado dentro de um carro. Funk parece ser fortemente acompanhado por uma cultura de auto-afirmação, pelo quase grito constante de "Eu escuto funk sim, e daí, burguesinho?!" Fazia sentido que considerassem natural, necessário ou dogmático forçar outras pessoas a ouvir sua música predileta também.

Mas não era apenas isso, todas as pessoas fone-deficientes que eu via eram também homens. Nunca via uma mulher incomodando o resto do ônibus. Cético e pessimista, supus que fosse questão de tempo, e estava certo... Mas, entre conhecer o comportamento irritante e encontrar uma mulher que o absorvesse, passaram-se alguns anos. Mesmo prevendo isso, porém, fiquei na hora um pouco incomodado.

Se só vejo homens fazendo alguma coisa, em geral suponho que haja um motivo para isso, mesmo que eu não consiga supor qual. Minha observação tende a ser suficiente para que eu suponha que seja algo característico desse gênero, ainda que momentaneamente. E eu acho sempre triste quando um gênero imita o que o outro tem de pior... Não importa que seja uma exceção, que a pessoa curta, que a pessoa queira usufruir de seu "direito de ser babaca" (também conhecido nos EUA como "Argumento Republicano de Primeira Ordem"). Devo acrescentar que ela não ouvia funk, mas o que provavelmente se chama algo como "Melô do Abracinho".

Por quê? Por que aproveitar a oportunidade de fazer uma bobagem? Ainda que as barreiras de gênero sejam relativamente flexíveis no Brasil, ou no RS, ou talvez em POA, isso significa que uma mulher não pode se questionar sobre um comportamento só reprisado por homens na sua volta e pensar que, talvez, nenhuma mulher os esteja imitando porque é uma babaquice? Pior do que isso, uma mulher, nesse caso, fazendo algo que só homens fazem é uma anuência poderosíssima. Em primeiro lugar, indica que o comportamento vai sobreviver por ainda mais tempo, pois mesmo uma pessoa do sexo oposto não o considera mais imbecil. Em segundo, indica o quanto uma mulher curte esse comportamento, de modo que os homens vão sentir que sua vida sexual estará pouco ameaçada se continuarem assim, ou até estimulada. "Vai saber, aquela não deve ser a única."

Pode ser preconceituoso da minha parte, mas eu tendo a torcer contra indiferenciações de papeis sociais que só possam se dar por uma queda de qualidade, comportamental ou intelectual. Torço para que as mulheres acordem para a estupidez do Serviço Militar, torço para que os metrossexuais contemplem a astronômica economia anual dos "retrossexuais", torço para os homens voltarem a ter a exclusividade da fone-deficiência, até que mulheres falem tanto que nunca dão para caras desse tipo que a estigma finalmente mate o comportamento e voltemos a escutar nossos pensamentos, nossas leituras, os motores, os fones ou vozes no ônibus.

domingo, 28 de novembro de 2010

Acusação necessária

Pena que ela disse isso há uns anos e só vi agora...

"If you think about it, white people have some incredible conspiracy theories, you know? 'Elvis is still alive', 'Britney Spears has talents'..."

Aisha Tyler

domingo, 21 de novembro de 2010

Provocação para criar um videolog

Os 27 anos da Rádio Ipanema foram comemorados hoje no Anfiteatro Pôr-do-Sol, um lugar para shows abertos, na beira do Guaíba.

Nisso, como queria ter filmado um morador de rua, com seu carrinho de compras vazio na frente, dançando Dívida, do Ultramen, superanimado e soltando o gogó em "Aquela dívida de uns anos atrás está bem viva", além do cachorro que vinha com ele e que parou pacientemente enquanto o cara dançava.

PS: A grande entrada do Leopoldina na música brasileira.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

"É chato ser gostosa"

Bom, devo dizer que a frase serve a este post se "gostosa" for entendido em sentido amplo. Digamos, "é chato ser bonitinha". Pelo menos é o que andam expressando as adolescentes que não são nem gordas nem magras demais, que têm suas características marcantes de rosto, mas que claramente não são feias. E não é que seja chato num sentido de tédio. Não, deve ser MUITO chato. Só pode ser, já que andam todas por aí com cara de nojo. Na adolescência, eu devo mesmo só ter olhado para tudo em minhas amigas com exceção do rosto para não ter notado como gurias apenas mais bonitas que a média de suas colegas vivem com cara de nojo, no ônibus, na escola, na rua, na fazenda... 

Não que elas não tenham razão. Elas sentem a marca da superioridade em tudo o que fazem: não são feias (logo, superioras), não são guris (logo, superioras) e não são compreendidas pelas adultos (logo, superioras). Ah, claro, têm paixão por cantoras que fazem clips com muito sucesso em que as heroínas aparecem chamando a atenção dos guris mais velhos e olhando para os adultos com... cara de nojo.

sábado, 7 de agosto de 2010

Fim do mundo

É, no caso do fim do mundo, eu não tenho solução a apresentar.


Agora, se não for o fim do mundo, só conheço um jeito:

terça-feira, 22 de junho de 2010

Desaniversário

Como eu respeito meus apetites, quando quero deitar a ouvir música (o que não é comum), deito a ouvir música. Então entrei madrugada, que era pra aproveitar recuperando o sono e curando uma gripe, ligado em tudo que é música que me aparecia na cabeça. E eis que descubro um vídeo inusitado que tem a minha idade (quer dizer, exatos 11 meses mais novo que eu). Como não vou lembrar de guardar até o aníver, melhor postar agora, nem que seja pelo total estranhamento que provoca:


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Classificando Robert Smith

"robert is unbelievably talented but hopelessly underrated"

Comentário no youtube, postado no clip de In Between Days por ichigogohankenpachi

:D

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Assembleia de alunos

"The selfish, they’re all standing in line
Faithing and hoping to buy themselves time"

Pearl Jam - "I am Mine"

terça-feira, 11 de maio de 2010

Pedagogia anglo-caxiense


Muitas vezes, jornalistas, editores e outras pessoas ligadas às decisões de um jornal (televisivo ou não) entendem sua função social como a de educar, ou, pelo menos, pensam que isso é muito de sua responsabilidade profissional. Vários facilmente levam isso ao extremo. Como educar é algo fortemente associado a crianças, acreditam que o ato tem de ser feito de forma infantiloide. Certos representantes da categoria, porém, já pensam de forma infantil, de modo que acreditam não apenas que tratar as pessoas como crianças é natural e adequado, mas também que o resto do mundo concorda e faz o mesmo movimento. Para esses, todos os seres bem-intencionados falam com o público como quem se dirige ao sobrinho de 6 anos, o que termina por formar, com a imprensa, o complô da infantilização mundial.

Recentemente, o jornal Pioneiro, de Caxias, pegou para cúmplice os Beatles e "educou" sobre o trânsito usando o atropelamento de uma criança e de sua mãe como mote. Elas não usaram a faixa de segurança, apesar de a banda inglesa ter dado o exemplo na capa de Abbey Road!

"Se a mãe e a filha de 4 meses [a filha tem culpa também?] tivessem feito como Ringo, Paul..." não teriam sido atropeladas; deveríamos "fazer como os moços de Liverpool indicam"! Ou seja, a capa do LP dos Beatles tem por finalidade a educação pública, essa atitude é muito atual e os caxienses deveriam ir buscar, na Inglaterra de 1969, a forma como se deve atravessar ruas. Deixemos para trás a péssima relação que pedestres descuidados necessariamente têm com os violentos e bruscos motoristas da cidade e culpemos pelo acidente a falta de música pop antiga nas rádios regionais.