Mostrando postagens com marcador imagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador imagem. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Idiossincrasias de Montevidéu

Eu devo dizer que Montevidéu (e o que peguei do Uruguai) é um lugar com elementos pitorescos que exigem comentários. Primeiro, no entanto, um aviso: este não é um post para elogios de viagem, por mais que eu tenha curtido o local. Assim, assumam que concordo com os elogios clássicos ao Uruguai, com exceção do que se diz sobre o "povo acolhedor e muito simpático". Eles não são ruins, mas me parecem absolutamente normais. Aliás, as pessoas que me trataram de forma digna de nota eram turistas ou naturalizados. Vamos dizer assim: se o Uruguai merece notas altas em receptividade, então o Brasil é realmente anormal em sua hospitalidade.

O primeiro elemento curioso é que eles vão muito além de usar as praças, como se fala. Eles usam a rua, ocupam-na mesmo. Ela é lugar para tudo, até para cochilar. Não se trata de um que outro, nem de doido ou morador de rua. Por essa naturalidade, em toda rua parece ter pelo menos um sujeito sentado tranquilamente na soleira da porta. Mulher com cachorro, amigos conversando, velho cansado, o degrau da porta é para todos e todas.

Segundo elemento: o domínio sobre a água. Que chuveiros bons! Ok, eu usei de hotel, de pousada e de um apartamento, mas todos são fantásticos tanto para aquecimento quanto para controle da quantidade de água. A água da torneira também é boa! Francamente não sei por que temos tanta dificuldade nessa área - ou, sei lá, o motivo para o mercado de chuveiros ser tão mal servido no sul do Brasil...

Além de tudo, Montevidéu parece estar à venda (a parte de dentro da muralha, em Colônia de Sacramento, também). Com tantos prédios renovados de forma genial, tanto local antiquíssimo mantido e reutilizado com máximo conforto, a quantidade de prédios à venda e de ruínas com plaquinhas de que estão sendo renovadas é um tanto chocante e provoca certa pena. Fico sem saber se posso acreditar que esses locais se tornarão outros tantos bons de se conhecer como os que vi, ou se passei por um resquício de investimentos que morreram.

Por fim, as moscas. O país é medianamente limpo, os restaurantes não parecem dever nada aos nossos, mas há sempre, no mínimo, uma mosca em todo lugar. Sua presença é tão chata que fiquei imaginando as propagandas de Turismo com o escudo de Montevidéu, ou a imagem do Artigas, e uma mosquinha sempre pousando no logo - Ok, há uma exceção, um café chamado "Ouro do Reno", em que não vi mosca alguma...

Como isso parece uma crítica mais pesada do que realmente é, vou terminar com um elogio um tanto clássico: a carne é ótima. Como acontece com o café em Natal, qualquer birosca tem carne boa de verdade! Nossa, que diferença para o mercado cada vez mais complicado do Rio de Grande do Sul, onde a gente sofre tanto no orçamento para conseguir ainda comer carne, que sempre se revela não ser lá essas coisas.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Propaganda eleitoral em Porto Alegre

As alturas dos candidatos indicam aproximadamente as intenções de voto para cada um, mas acho que Villaverde tá se espichando um pouco...

Fortunati não podia fazer diferente (será que não podia mesmo?), mas foi uma péssima escolha um slogan de "melhorou, vai melhorar"... Porto Alegre melhorou desde que ele virou prefeito? Não consigo pensar em nada que esteja melhor de 2010 pra cá. Ou talvez ele queira dizer que as coisas melhoraram desde que Fogaça, de quem era vice, ocupou a prefeitura? Bom, nesse caso, sua proposta é seguirmos mais 4 anos com as reticências do governo Fogaça? Baita candidatura essa...

Mesmo assim, desde que Fortunati virou vice, Porto Alegre não melhorou! Seria fácil argumentar que piorou, mas, mais do que isso, o grande problema me parece ser que uma coisa ou outra estar melhor (como um eleitor de Fortunati poderia querer argumentar) bate em teclas absurdamente pontuais. É esse o problema que só se agrava em Porto Alegre. O pessoal tem tratado o governo como um lugar pra fazer arremates, apagar incêndios e cumprir horário! Qualquer governante que preste só presta porque tem um projeto sistêmico, ou (o que acho um pouco pior, mas vá lá) uma bandeira um pouco mais restrita, mas fortíssima. Então, não é o caso se um viaduto não está mais desabando ou se começaram finalmente a planejar uma obra que foi proposta há 8 anos. Nem é o caso de se dizer que os alagamentos desses últimos dias indicariam uma terrível administração. O caso é PORTO ALEGRE (batendo no peito e tendo em imagem a cidade toda) mudou, ou não mudou? Não mudou. No pouco que mudou, o saldo é negativo. So sorry.

Manuela, conceito "comunista de shopping"
E a Manuela? Coitada, embretada numa estratégia de campanha tão capciosa quanto a da Dilma, tenta tirar suco de ser uma mulher jovem sem poder realmente admitir que está tirando suco de ser jovem ou mulher. Até porque a Dilma tinha o Lula pra lhe dar votos, inclusive pra falar por ela! A Manuela tá encalhada com aquele namorado (agora marido?), e é ele quem lucra votos por associação a ela, não o contrário. Ela tentou se associar à imagem da Dilma, mas foi vetada legalmente, e agora parece que liberaram de novo... Enfim, tática mais sem sal...

Pior ainda, muito senso comum político parece nascer de gente da nossa faixa etária, ou seja, de toda a galera que cursou faculdade na entrada do século XXI, como ela. Manuela tinha uma vida política bem típica na faculdade, mas nunca cuidou da imagem pessoal. Fofocas mil a seu respeito são corroboradas por exércitos de homens e mulheres entre os 27 e 30 e poucos anos. De alguma forma, me parece que suas indiscrições (associadas à atividade política, aliás), assim como as de seu atual "companheiro", têm pesado em sua rejeição de voto. Não sei como outros grupos a enxergam, no entanto.

E temos o Villaverde! Pobre coitado, é um nerd posto no ataque, na Educação Física. Sua forma contida, seu sorriso de quem não deveria estar ali, sua consciência de ser completo desconhecido de quem lhe descobre candidato a prefeito, seu jeito inclinado para a frente de andar fingindo ser decidido, sua campanha flutuando ao sabor do vento, sua forma de se encolher ainda mais perto do Lula, que mesmo contido aparenta o gigantismo de um Don Corleone pajeando o netinho indefeso... Pobre Villa! Vem, vem cavar segundo turno e apoiar a Manuela, teu destino...

sábado, 11 de agosto de 2012

Lugar para viver bem

O ponto de interrogação foi a melhor ideia!

Faz 2 anos que convivo mais diretamente com a análise de apartamentos, por milhares de motivos. (De um jeito ou de outro, todo o mundo quer se mudar?) A dificuldade de encontrar um espaço não só decente para se viver, mas bem distribuído, entra em choque com apartamentos ficcionais, especialmente com aqueles a que nos apegamos. Neles, mesmo que descontemos os planejamentos para o movimento da câmera, ainda encaramos um lugar agradável, pensado para pessoas, não apenas para respeitar ou distorcer a metragem. 

Em geral, a ficção não serve de parâmetro para o que acontece ou para o que é exigido de um profissional real. Professores, bombeiros, policias, jornalistas, políticos, arquitetos, piratas... poucos poderiam ser exemplos para ou da vida real.

Isso não quer dizer que alguns deles não possam se tornar ideais para os profissionais de fato, como de fato acontece. Até Indiana Jones foi e é herói de muitos historiadores. E quanto aos arquitetos implícitos? Será que os espaços de seriados e filmes não podiam servir de exemplo, pelo menos um pouco?!

sábado, 31 de março de 2012

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Carnaval: por que foi bom ignorar

Eu nunca tive muito interesse pelo Carnaval, mas o valor de nosso salário (ou o fato de ganharmos algum) determina muito o quanto podemos nos esquivar de um fenômeno socialmente importante. Foi há poucos anos, portanto, que minha distância do Carnaval passou a ser digna de nota. A recente onda terrível de calor, no entanto, me excluiu de tal forma do mundo que essa distância atingiu o nível absoluto nos últimos dias. 

Ainda a contragosto, quando o tempo voltou a ser suportável, vi algumas manchetes online a respeito do assunto, e as inevitáveis fotos de madrinhas da bateria. Acredito que essa crescente falta de contato, no entanto, deu um sabor de novidade, ou de surpresa, à triste e previsível constatação de que o Carnaval seguiu piorando.

Bom, a questão é que estou surpreso com o peso de silicone, plásticas e músculos que fazem uma "mulher" no Carnaval. As poucas que ainda parecem bonitas são de uma geração anterior às que brilham no centro do mercado. As "mais velhas", em geral, estão mais cobertas, ou por toneladas de lantejoulas e armações que não revelam, realmente, nada que uma roupa normal esconderia; ou por roupas de fato normais, como saias e camisas. Até a semi-nudez está restrita às obras faraônicas da cirurgia. Não barateiem minha crítica imaginando que falo isso para exigir mulheres bonitas peladas pela rua. O Brasil em nada depende do Carnaval para isso. Apenas essa restrição da semi-nudez me parece ser uma indicação bastante clara de que o corpo feminino como objeto puramente sintético não é apenas um mas o único objeto de mercado que se tem em mente para todo o filão que o Carnaval promove (é verdade, muito se alimentando, ou retro-alimentando, o mercado do funk, de seus antecessores e dos derivados).

A Ellen Roche, na verdade, é a mais jovem, a última, portanto, que ainda dança profissionalmente no Carnaval e lembra a forma feminina que eu tenho mais ou menos em mente quando a palavra "mulher" me é mencionada. Ok, ela não é uma boa representação da média, mas ela LEMBRA a média do corpo feminino, o que hoje em dia é muito! Para dar uma ideia, nessa indústria obviamente da juventude, Ellen Roche já tem 32 anos! Seu estouro redundante foi na Playboy de 2001 (cf. Wikipedia, pessoal, não se assustem)! Lá se vão 11 anos. (Perspectiva nerd: quando ela posou para a Playboy, Senhor dos Aneis ainda não tinha estreado no cinema.)

Eu não acho que o Carnaval brasileiro tenha grandes razões defensáveis para existir, moralmente falando. Aceito, caso queiram, a acusação (é a palavra) de que este post tem uma motivação moral. Mas o fiz mesmo por um motivo bastante egoísta. Toda vez que um determinado nicho de mercado se define por um padrão aberrante de beleza, ele vira argumento para mulheres que não conseguem emagrecer acusarem os homens de só quererem aquele padrão de beleza que tal nicho vende, como se ele fosse representação real e universal do gosto masculino e não o resultado de uma superespecialização de determinado tipo de tesão exagerado a níveis montruosos. O efeito colateral que acompanha este, claro, é o de gerar propagandas que dizem defender uma beleza "natural" contra esse padrão que supostamente vem dos homens.

Bom, eu tenho a dizer apenas que os músculos siliconados e repuxados que vi nas fotos deste Carnaval em nada me lembram não apenas mulheres bonitas, mas "mulheres" pura e simplesmente. Não há corpo ou rosto ao menos aceitáveis para o adjetivo "bonito" naquelas avenidas. E tais fotos apenas reafirmam que ignorar totalmente o Carnaval foi uma opção de estranha sabedoria, pois só mesmo um caso extremo como esse para me fazer acatar, mesmo que de forma ultralocalizada, o ditado "ignorance is bliss".

PS: A quem achar este texto machista (imagino que alguém que desconheça o blog e esbarre acidentalmente, daqui a alguns anos, neste texto), minhas desculpas, mas há espaço para comentar e explicar o porquê. Apenas aviso que as mulheres aqui são tratadas quase que só pela beleza física porque esta é a proposta do Carnaval tal como o sofremos midiaticamente, e não há sentido pedir teses interessantes sobre física quântica de mulheres que se propuseram inicialmente a serem medidas unicamente pela habilidade de dançar peladas movendo menos carne e pele que as rivais.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Educação na Cracolândia

Conforme Haddad, nosso queridíssimo ministro da Educação, a ação da polícia na cracolândia foi "desastrada".

Que vergonha! Que vergonha nosso ministro ter de ver tais resultados onde quer concorrer a prefeito, após uma carreira tão brilhante no MEC, em que não houve desastre algum, em que todas as suas ações foram bem pensadas e em que já começou a revolução educacional que vai colocar (e já está colocando) o Brasil entre os primeiros do mundo. Primeiros na economia, que importa que também primeiros em custo de vida e últimos nas salas de aula? O projeto Escola sem Homofobia não foi nenhum desastre! Não houve desastre em nenhum ENEM! Haddad fala por si e para si: a Educação anda a passos largos.

A polícia pode, afinal, aprender muito com o MEC, com certeza. Um dos grandes segredos da Educação é fazer planos lindos, mesmo que só na teoria, de preferência nem tentando colocar os melhores em prática (não, ao menos, sem antes buscar cortes para afunilar a demanda do serviço pelo Estreito da Falta de Verba). Ah, Segurança, aprenda com a Educação: plano bom mesmo não sai do papel - de preferência já sendo bolado sem contato com a realidade! Foram se meter a encarar um problema real e tentar agir no mundo! Não, isso é uma cena forte demais para o ministro!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A educação que assusta

Eu ia fazer um post sobre a questão da repetência de ano, sobre o sistema que faz com que um aluno passe ou não. Descobri, ao escrever o texto, que tenho medo de publicar tudo que está envolvido nesse processo. Meus textos não costumam ir longe, mas, como os tweeto, às vezes são retweetados, e não sei onde eles vão parar. 

Falar a verdade sobre a educação pública é sempre falar mal de muita gente. Tenho certeza de que essas pessoas se sentem totalmente seguras a respeito de que se publique sua hipocrisia e incompetência, mas também acredito que, às vezes, certas informações podem rolar por aí na hora errada. Também sei da importância do sistema de retaliações para a manutenção da engrenagem propriamente política da educação, ou seja, de suas secretarias. Só posso supor que situação seja semelhante em seu Ministério.

O fato é que o movimento dos alunos entre os anos da escola envolve tantas questões logísticas, geográficas e burocráticas que a aprendizagem não poderia estar mais distante do foco que o governo tem nas crianças que dependem deles para aprender sobre o sistema de nossa sociedade, estejamos falando de conhecimento científico e artístico ou da linguagem dessa sociedade, incluindo aí a educação, a ética, o respeito, até mesmo o controle do corpo de acordo com aqueles valores que bem conhecemos, já que irritantemente repetidos pelo Fautão, pelas heroínas da novela das 8 e por candidatos federais.

Mas, como a questão aqui é contar ou não contar, isso mais me faz pensar muito no quanto não temos jornalismo. Tantas e tantas matérias sobre educação ao longo do ano, em todos os estados, e ninguém toca em mais que a ponta da superfície do começo do problema (preferindo em geral gastar tempo e tinta na velha "É culpa dos professores?"). Se soubessem, a maioria dos pais usaria a escola literalmente como uma creche (o que já tentam, só não precisariam mais lutar contra um discurso que lhes resiste) ou os tiraria simplesmente de lá. No momento, o Bolsa Família já não motiva tanta gente a ir. Com o conhecimento da verdade, ninguém mesmo acharia que o Bolsa seria motivo para matricular o filho, mandá-lo para lá toda manhã, em vez de arranjar formas para a criança, direta ou indiretamente, aumentar a renda da família e - seria o ponto de vista deles, e quem poderia negá-lo? - aprender uma profissão (por pior que esta fosse aos olhos de todos que recebem mais que um salário mínimo).

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O diploma está nos detalhes

"O mundo quer saber se tu sabe" - assim uma colega criticava posturas educacionais que, ao enfatizarem demais a atividade espontânea dos alunos e a necessidade de se falar do que lhes interessa, perdem contato com conhecimentos básicos necessários e que são passados apenas pela escola. A frase enfatizava um problema que estávamos enfrentando na escola e que não parecia estar sendo encarado por toda a equipe. No fim, existe um corpo de informações que são consideradas básicas pelos outros, e acabamos dependendo muitas vezes de saber o que querem de nós, não o que consideramos importante ou relevante.

Concordo com isso, mas tal afirmação ganhou um colorido curioso quando, duas horas depois de tê-la ouvido, fui requisitado no enciclopedismo mais básico: estava assistindo a uma palestra e a pessoa apresentando suas atividades esqueceu exatamente em que data tinha acontecido determinada coisa em sua escola. Um parceiro, na plateia, lembrou vagamente que havia sido no centenário de morte do Machado. Tendo sido minha colega por alguns meses, a palestrante sabia que eu havia cursado Letras, portanto olhou imediatamente para mim. Eu, para a paz mundial e a manutenção de meu status mínimo, dei a resposta (2008). 

Do ponto de vista da Letras, saber essa data é prática ou completamente irrelevante, em relação a tudo que se pode saber, estudar e que não pode ser retirado de uma simples consulta a uma enciclopédia ou ao Google. Do ponto de vista do senso comum, que horror se me falhasse a memória! A crítica da minha colega, nem que seja pela proximidade dos fatos, ganhou fortuita e estranha comprovação.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Beleza interior no dos outros

Fui num casamento em que experimentei algo quase único: a noiva parecia com ela própria. Apesar de superarrumada e maqueada, ela estava reconhecível para qualquer pessoa que já a tivesse visto pelo menos uma vez na vida. Acho extremamente irônico que mulheres confundam, no caso de formaturas e casamentos, maquiar-se com disfarçar-se. Não é, no fundo, um auto-insulto tentar se embelezar e acabar parecendo outra pessoa? 

A noiva foi um alívio agradável, mas outras convidadas, pelo menos as que eu conhecia, compensaram: não reconheci nenhuma de vista, e dependi sempre de referências ou de traços de personalidade se manifestando para identificar cada uma. Todas as propagandas de Dove e todo o discurso anti-homens que busca valorizar cada mulher como ela é e culpar a macharada pela "ditadura estética" ainda nem arranhou a competição feminina que escala a importância da maquiagem na vida e do photoshop nas revistas para convencer todo o mundo que qualquer mulher admiravelmente bonita o é porque não é de verdade. Quando é para se emperequetar, tão poucas suportam o próprio rosto...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Fluidez e confusão de uma identidade internética

Quando comecei este blog, estava, se não me engano, ligado apenas ao Orkut, apesar de a média de meus amigos já ter migrado para Facebook e Twitter. Na época em que entrei no Orkut, ele era um tanto restrito a nerds, pelo menos por aqui, então não vi grande mal em colocar foto minha mesmo e muitas informações a meu respeito. Convidado por grande amiga minha da faculdade, lembro que preenchi meu perfil conversando com ela por telefone, o que me motivou a ser detalhista e completo.

No entanto, a passagem para o blog foi diferente. Este nasceu quando vivia bastante isolado, sem ninguém com quem conversar (cotidianamente e ao vivo). Foi, ao mesmo tempo, uma forma de extravazar deboches, particularmente sobre jornais e política, de preferência ambos ao mesmo tempo. Além disso, tinha contato grande ainda com o mundo acadêmico, então estava sempre vendo bizarrices de diferentes ideologias e "escolas" teóricas, bem como ouvia uma ideia ou outra de gente da graduação, ou via seus cartazes "engajados", enfim, estava cercado de material linguístico do qual rir.

Exatamente pelo contato com essa gente e por estar querendo desabafar, criei um perfil ligado a meu apelido para os amigos da faculdade, mas com a mínima relação com meus perfis virtuais (Lattes e Orkut). Tinha um cuidado leve para não nomear lugares, eventos ou pessoas (o que em geral ainda sigo), a fim de não prejudicar a imagem de ninguém por nenhum acidente. Estava, portanto, mantendo um certo anonimato.

Infelizmente, a Internet em geral e o Google em particular mudaram muito. Conforme eles foram mudando, a posição relativa de todos nós no mundo virtual foi sofrendo suas consequências. O Orkut, mais visitado e, depois, ameaçado gravemente pelo Facebook, foi conquistando público de outro tipo e buscando se abrir mais, ser menos restrito com a questão da criação de perfis... Enfim, acabou ligado por via expressa a todas as páginas do Google, o que implicou o Blogger. Restringi minha exposição no Orkut drasticamente, mas entrei no Facebook (mesmo que até hoje não tenha me dado o trabalho de colocar uma foto decente). Quando entrei no Twitter, foi em ligação com o blog, de modo que tive uma "aversão" a abrir essa conta para gente que não me conhece pelo Retórico ou pela faculdade, o que exclui o pessoal do Facebook.

Ou seja, a situação estava confusa e insatisfatória. Agora, ter aprofundado meu uso do Google acabou (quase) conectando este perfil a pessoas com quem trabalho, caminho seguro para alunos, de modo que posso ter de fazer uma reforma geral na baderna e não sei por onde começar. Mesmo porque, se a galera tiver mesmo contato com este blog, vou acabar criando outro perfil para um blog insuspeito, já que será novamente um lugar ruim para desabafar. Talvez seja hora de ter uma fachada ampla (muitos sites) para poder ter um (novo) cantinho discreto na Internet. A sede de exposição geral e a sede das redes de abocanhar esse público tem tirado um pouco a graça de escrever um pouco sobre tudo e sobre nada, sem ambição.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Imagem pelo ralo

Eu fiquei realmente chocado quando vi 3 caras, com mais de 17 anos (menos de 25, com certeza) tirando fotos cada um de si próprio, fazendo pose no banheiro masculino de um shopping. O choque foi rápido o suficiente para não manifestar qualquer movimento ou olhar diferente, e em seguida eu estava longe e desligado, mas a cena foi realmente muito bizarra.

Sei que o "auto-retrato" é a modalidade da juventude (apesar de que só havia visto entre gurias ou entre matilhas de guris, todos na mesma foto). Uma febre incrível que tem pose marcada e produção em massa. Celebridades retro-alimentam a cultura twitando fotos suas, peladas ou não, bem como a possibilidade de exposição por várias mídias é tão atraente para a galera que, acredito, seria suficiente sem essa ajuda da gente famosa. Mesmo assim, aquelas poses no banheiro masculino me tomaram de surpresa. Se querem se mostrar, por que num banheiro? Por que público? Por que do shopping? 

Parece-me que a última informação, ser no shopping, tem mais chance de ser a resposta da charada. É isso? "Vitória contra exclusão"? A julgar pelo estilo e pelos comentários (sim, eu uso conhecimento prévio para prejulgar seres humanos no meu ambiente), não seria algo cotidiano para aqueles guris estar ali; talvez mal possam comprar algo naquelas lojas. Será que eu estava certo? Seria uma questão de "ascensão"? 

No entanto, se o for, por que o esforço por ascensão sempre clama pela estética? Por que as marcas de boné chegam antes dos interesses, do estilo de dedicação ou de linguagem que mantém quem está por cima exatamente onde está? Não me digam que é questão de consumismo, culpa do mercado. Este pode até explicar o amor inquestionável por uma marca, mas não explica fotos no banheiro. É claro que, na escolha do boné, o "mercado" é na verdade uma questão de fetiche, e do fetiche a humanidade não escapa, mesmo sendo seu veículo, por que razões forem, o espelho de um banheiro público.

domingo, 17 de julho de 2011

Príncipe Encantava

Para onde foi aquela mulher de quadris largos que vai me dar um herdeiro digno de seguir aumentando minhas terras e comandar tantos servos?

O príncipe encantado não lava a louça, não arruma a cama, não limpa a  casa, não organiza suas coisas nas prateleiras, não recolhe roupa nem guarda o que é seu, e ninguém sabe como se sai depois das preliminares, ainda que "viveram felizes para sempre" possa ser lido como um eufemismo. Tirando o último elemento, portanto, e apenas se formos leitores maliciosos, nada mais do clichê atual da perfeição se encaixa com aquele dono de terras belicoso. Aquele cara faz o favor de matar a madrasta de sua pretendente, espantar as rivais e, em muitos casos, matar um monstro, mas não exibe grandes méritos do que se esperaria num homem moderno. Por que, então, ele segue sendo símbolo de expectativas idealistas femininas?

Contrapondo, lembremos que um homem que resolva seus conflitos na porrada, ande armado e cante uma mulher o quanto possa unicamente baseado em tê-la achado bonita é considerado péssima notícia. Nem por isso, no entanto, esse cara, mesmo que bonito, teria seu comportamento creditado a lendas remotas ou contos infantis. Seriam culpados imediatamente os genes masculinos ou uma simples e genérica estupidez de neandertal. Não é culpa da TV ou da carochinha, é que ele é homem.

O pobre príncipe encantado não dá mais conta dos desejos femininos. Por mais que a grana dele continue sendo cobiçada por muitas em seus partidos, isso mesmo está restrito demais comparado com o uso da expressão. Deixemos o coitado em paz. O idealismo não vem da Disney há muito tempo.

domingo, 26 de junho de 2011

Teoria e Prática de Gênero

Há pouco ouvimos uma palestrante, pós-pós-pós-doutora feminista-desconstrutivista, enfurnada no meio acadêmico há séculos, indicando o Brasil como um país muito conservador. Nele, o Sul seria particularmente a região mais conservadora. Isso significava, em sua linguagem, apegar-se a tradições, cânones e metodologias clássicas, o que é o mesmo que "ultrapassadas", nesse dialeto.

Minha namorada logo captou, pela descrição desse conservadorismo, que o que ela falava parecia verdadeiro para o meio acadêmico, mas não para o resto do mundo na volta, nem mesmo para as expressões culturais que orbitam a faculdade ou seus professores, como casas de espetáculo, grupos de produção independente, ou o "meio cultural" em geral. Minha namorada tinha saído do âmbito da comparação. Ela não dizia que éramos mais ou menos conservadores que outros estados, apenas que a descrição realizada pela palestrante era circunscrita demais à Academia e, em Porto Alegre, isso em geral quer dizer a UFRGS, além de professores com maior ou menor relação com ela que trabalhem em faculdades "próximas".

Assim como os professores, entre os alunos o clima de conservadorismo indicado por ela também é fácil de identificar. É importante ressaltar que o termo não foi usado num sentido propriamente político-partidário. "Conservador" ali incluía coisas como homofóbico (nível skinhead), racista, machista e preconceituoso com todo tipo de produção "popular" (nem escrita, nem armada explicitamente sobre tradição europeia).

Apenas para indicar essa contradição, entre Academia e entorno, pensei em postar aqui um dado curioso recém publicado: Porto Alegre é a segunda cidade com maior percentual de casais declaradamente gays do Brasil. Não é curioso os cursos de Humanas terem traços tão resistentes a "inovações" contra uma noção bastante dura e monolítica de tradição e Porto Alegre quase liderar essa lista? Não é que haja uma aceitação maciça da união homossexual na região, mas é interessante que o líder da lista seja ainda Florianópolis, outra cidade do Sul e que vive em intercâmbio constante conosco. 

Muitas vezes tenho a sensação de que termos como "preconceito" deveriam vir com explicações inter-regionais quando usadas em noticiários ou internet. Seus níveis parecem variar de forma complexa entre regiões e não tenho certeza que existam muitas manifestações que seriam igualmente consideradas "exageradas" em todas as regiões ao mesmo tempo. Tamanha precisão seria horrível para as simplificações eleitoreiras, mas seriam realmente interessantes se quiséssemos entender afinal o que está acontecendo em cada canto e como os diferentes estados (e cidades) realmente vivem seus conflitos culturais internos e externos. O mesmo acontece com "tradição". O Rio Grande do Sul é famoso por ser bairrista e apegado a um elenco de tradições institucionalizadas que geraram um mercado particular de comida, vestimenta e música, no entanto o relativismo com que essa tradição é tratada pela maioria dos próprios gaúchos e o equilíbrio entre bairrismo e ironia que ele envolve nem sempre me parecem claros ao olhar do brasileiro que aqui chega.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sorte


Ok, eu não uma empresa propriamente, mas, como dizem todos os spams, "não custa nada passar, né?" Nesse caso, é importante ter pressa, antes que resolvam censurar a brincadeira.

domingo, 1 de maio de 2011

Crime compensa


Alguém lembra dessa charge? Não? Tudo bem, a cada dia ela se torna mais e mais atual, prometendo ser resgatada em blogs como este muitas vezes mais.

terça-feira, 1 de março de 2011

Twitter Id

Mal entrei hoje no bar da faculdade e um garçom, que há séculos não me encontrava (porque há muito eu não ia no campus), levantou a mão fazendo um V com dois dedos e me cumprimentou com "E aí, Tigrão?" Não se trata de termo genérico, "Tigrão" era meu apelido na faculdade. Não era pelo funk Bonde do Tigrão, um ano mais jovem que meu apelido, mas por uma referência pontual de uma colega ao Tigrão do Ursinho Puff.

O garçom em questão é um patrimônio cultural para todo mundo que frequenta aquele bar. Além disso, é uma das poucas pessoas da faculdade que ainda posso encontrar ao vivo e a cores, de modo que é um dos raros seres humanos ainda responsável pela sobrevivência de meu apelido. Pareceu-me, por isso, que eu deveria ceder a algo que pensei logo que fiz a conta no Twitter e referir lá também o querido apelido. Tinha deixado Retórico Sincero porque o fiz vindo do blog, mas me parece que meu apelido merecia tratamento mais carinhoso.

Usarei lá, como aqui, o diminutivo de Tigrão: Tigre - obviamente, como tigrezinho ou tigrinho são os diminutivos quando Tigre é a forma neutra... No Twitter, no entato, surgiria a questão de, querendo colocar um segundo nome, ter de escolher entre Sincero ou Retórico. Quero dizer, seria ou Tigre Retórico, ou Tigre Sincero. A segunda opção me parece meio convencida e também inútil. Em certo sentido, não se esperaria de um tigre que não fosse sincero. Além disso, enfatizar a sinceridade traria a questão de quem não é sincero, ou de que eu seria sincero como uma postura moral "neste mundo sem sinceridade"... Enfim, levantaria pressupostos desnecessários.

Já Tigre Retórico dá um atributo menos esperado de tigres, encaixa bem com a foto que escolhi lá e destaca o que interessa para mim no blog. Aqui, como lá, sou sincero quando quero, mas a forma de escrever algo sempre me chama a atenção. É este o nick apropriado, portanto, e, se a conexão permitir, assim que terminar de digitar este texto irei lá e mudarei de nick. À bientôt!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Cortes públicos



Ideia para equilibrar os gastos: tirar do marketing. Tem sido dinheiro posto fora, na pior porcaria.