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terça-feira, 5 de junho de 2012

O blog como problema

Shhhhh - blog dormindo só um pouquinho!

Quando criei este blog tinha mais tempo e quase ninguém com quem conversar. O Orkut não servia bem para essas coisas... O Face e o Twitter não haviam ainda sugado todas as energias verbais das pessoas (além de que eu não tinha conta neles), de modo que alguns conhecidos tinham e mais ainda liam blogs.

Comecei as publicações sem grandes ambições de ser lido, apesar de acreditar que umas três pessoas pelo menos iam conferir, já que tinham me motivado tanto a começar um. Eu era muito ligado em retórica jornalística e papos de ônibus (sempre para debochar da forma como as ideias eram expressas nesses meios). Com o tempo, no entanto, essas duas coisas foram sendo superadas.

Entre um comentário de filme ou alguma reclamação sobre a vida acadêmica, que voltara a me consumir com algumas cadeiras obrigatórias novamente, as viagens de ônibus foram diminuindo, os papos foram se repetindo, e as notícias foram me levando para alguns comentários políticos. Nessa época eu escrevia pelo menos um post por dia (algo que se manteve, creio, por mais de dois anos), então não me tocava muito sobre as pequenas curvas que minha seleção de assuntos fazia. 

Isso foi se reforçando até a eleição da Dilma. Repentinamente eu me toquei o quanto tinha deixado de comentar retóricas ridículas de outros campos, e comecei a tentar resistir a escrever sobre política. Não fui muito feliz no esforço, mas algum resultado houve. Só que, na verdade, uma nova respirada de tempo me fez desviar para política internacional, já que pude começar a ler uma série de jornais pelos quais sempre tivera curiosidade (ou retomar alguns de quando estudava línguas estrangeiras).

Depois do primeiro ano de certa uniformidade e um aumento mais ou menos significativo de visitas, todos esses movimentos foram a receita para ter cada vez menos leitores, creio. Conforme eu não mantinha uma linha, quem gostasse de um post podia passar muito tempo sem achar nada de relevante no blog. Não criei relações que vi vários outros blogueiros criarem com gente que escrevia coisa parecida, bem como não abri o site para muitos conhecidos ou amigos, já que minhas críticas podiam insultar muita gente e eu estava mais preocupado em colocar as ideias pra fora do que em tornar todas as minhas relações super-honestas.

Este blog, portanto, não tem tema, a não ser formal (retórica ridícula), sendo que nem esta questão formal é necessária em todos os posts. Mesmo assim, quem gostava ficava, aparentemente, e eu via pelo menos um rastro de um certo trânsito no blog. Quando eu comecei a rarear, porém, até essas pessoas devem ter parado de procurar muito o site, já que eu parecia ter abandonado o barco. Ou eu perdi o tom, quem sabe? Talvez elas também tenham se ocupado mais, ou tenham entrado na mesma onda de descarregar a energia leitora-escritora no Face.

Acho que 6 pessoas, na melhor das hipóteses, ainda leem este blog, nem todas vindo realmente no site, mas recebendo o post no e-mail. Assim, nem estou aqui falando sozinho, nem realmente criando um texto com possibilidades variadas de leitores. Então não seria mais adequado criar uns e-mails com vários destinatários, contando novidades em vez de comentando bobagens (o que se faz monologicamente só com vários leitores ou com nenhum) e abandonar o negócio de vez?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Fluidez e confusão de uma identidade internética

Quando comecei este blog, estava, se não me engano, ligado apenas ao Orkut, apesar de a média de meus amigos já ter migrado para Facebook e Twitter. Na época em que entrei no Orkut, ele era um tanto restrito a nerds, pelo menos por aqui, então não vi grande mal em colocar foto minha mesmo e muitas informações a meu respeito. Convidado por grande amiga minha da faculdade, lembro que preenchi meu perfil conversando com ela por telefone, o que me motivou a ser detalhista e completo.

No entanto, a passagem para o blog foi diferente. Este nasceu quando vivia bastante isolado, sem ninguém com quem conversar (cotidianamente e ao vivo). Foi, ao mesmo tempo, uma forma de extravazar deboches, particularmente sobre jornais e política, de preferência ambos ao mesmo tempo. Além disso, tinha contato grande ainda com o mundo acadêmico, então estava sempre vendo bizarrices de diferentes ideologias e "escolas" teóricas, bem como ouvia uma ideia ou outra de gente da graduação, ou via seus cartazes "engajados", enfim, estava cercado de material linguístico do qual rir.

Exatamente pelo contato com essa gente e por estar querendo desabafar, criei um perfil ligado a meu apelido para os amigos da faculdade, mas com a mínima relação com meus perfis virtuais (Lattes e Orkut). Tinha um cuidado leve para não nomear lugares, eventos ou pessoas (o que em geral ainda sigo), a fim de não prejudicar a imagem de ninguém por nenhum acidente. Estava, portanto, mantendo um certo anonimato.

Infelizmente, a Internet em geral e o Google em particular mudaram muito. Conforme eles foram mudando, a posição relativa de todos nós no mundo virtual foi sofrendo suas consequências. O Orkut, mais visitado e, depois, ameaçado gravemente pelo Facebook, foi conquistando público de outro tipo e buscando se abrir mais, ser menos restrito com a questão da criação de perfis... Enfim, acabou ligado por via expressa a todas as páginas do Google, o que implicou o Blogger. Restringi minha exposição no Orkut drasticamente, mas entrei no Facebook (mesmo que até hoje não tenha me dado o trabalho de colocar uma foto decente). Quando entrei no Twitter, foi em ligação com o blog, de modo que tive uma "aversão" a abrir essa conta para gente que não me conhece pelo Retórico ou pela faculdade, o que exclui o pessoal do Facebook.

Ou seja, a situação estava confusa e insatisfatória. Agora, ter aprofundado meu uso do Google acabou (quase) conectando este perfil a pessoas com quem trabalho, caminho seguro para alunos, de modo que posso ter de fazer uma reforma geral na baderna e não sei por onde começar. Mesmo porque, se a galera tiver mesmo contato com este blog, vou acabar criando outro perfil para um blog insuspeito, já que será novamente um lugar ruim para desabafar. Talvez seja hora de ter uma fachada ampla (muitos sites) para poder ter um (novo) cantinho discreto na Internet. A sede de exposição geral e a sede das redes de abocanhar esse público tem tirado um pouco a graça de escrever um pouco sobre tudo e sobre nada, sem ambição.

terça-feira, 1 de março de 2011

Twitter Id

Mal entrei hoje no bar da faculdade e um garçom, que há séculos não me encontrava (porque há muito eu não ia no campus), levantou a mão fazendo um V com dois dedos e me cumprimentou com "E aí, Tigrão?" Não se trata de termo genérico, "Tigrão" era meu apelido na faculdade. Não era pelo funk Bonde do Tigrão, um ano mais jovem que meu apelido, mas por uma referência pontual de uma colega ao Tigrão do Ursinho Puff.

O garçom em questão é um patrimônio cultural para todo mundo que frequenta aquele bar. Além disso, é uma das poucas pessoas da faculdade que ainda posso encontrar ao vivo e a cores, de modo que é um dos raros seres humanos ainda responsável pela sobrevivência de meu apelido. Pareceu-me, por isso, que eu deveria ceder a algo que pensei logo que fiz a conta no Twitter e referir lá também o querido apelido. Tinha deixado Retórico Sincero porque o fiz vindo do blog, mas me parece que meu apelido merecia tratamento mais carinhoso.

Usarei lá, como aqui, o diminutivo de Tigrão: Tigre - obviamente, como tigrezinho ou tigrinho são os diminutivos quando Tigre é a forma neutra... No Twitter, no entato, surgiria a questão de, querendo colocar um segundo nome, ter de escolher entre Sincero ou Retórico. Quero dizer, seria ou Tigre Retórico, ou Tigre Sincero. A segunda opção me parece meio convencida e também inútil. Em certo sentido, não se esperaria de um tigre que não fosse sincero. Além disso, enfatizar a sinceridade traria a questão de quem não é sincero, ou de que eu seria sincero como uma postura moral "neste mundo sem sinceridade"... Enfim, levantaria pressupostos desnecessários.

Já Tigre Retórico dá um atributo menos esperado de tigres, encaixa bem com a foto que escolhi lá e destaca o que interessa para mim no blog. Aqui, como lá, sou sincero quando quero, mas a forma de escrever algo sempre me chama a atenção. É este o nick apropriado, portanto, e, se a conexão permitir, assim que terminar de digitar este texto irei lá e mudarei de nick. À bientôt!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

De rede para rede

Sem fazer nada no twitter, mas ainda assim aproveitando. Me arrependi realmente de não ter ido para o twitter antes, porque a competição entre "redes" que na verdade não são iguais fez com que todas tentassem sê-lo, como se oferecer mal os mesmos serviços das novas redes fosse fazer com que as pessoas ficassem nas mais antigas. 

O resultado foi que o orkut tenha virado um facebook, o facebook, um twitter, e o twitter n parece ter se transformado muito em outra coisa (já que os novos são específicos demais, como o do consumismo novo que ainda não decorei o nome). Ora, sendo o twitter o fecabook enfatizado nas campanhas e sem os joguinhos que n curti muito, e o orkut não conseguindo ser o facebook, mas ainda servindo como forma mais próxima de contato mais direto e pessoal com amigos, seguir tweets e seguir no orkut me parece a melhor combinação.

Ah, e para descarregar algo de verdade (ou coisas como este post), claro: blogger.

sábado, 27 de novembro de 2010

Cultura do estímulo

Estou há uns dias para reescrever o post de quarta sobre as pessoas reagirem só à forma, não ao conteúdo das palavras, inverso do que geralmente se diz. Agora tive um tempinho, então vai.

Resumiria a ideia da seguinte forma: no mítico "antes", as pessoas reagiam à forma, mas também liam o conteúdo. Geralmente paravam por aí, sem chegar a se deter em sutilezas formais, com exceção dos mais sensíveis, mais atentos ou mais especializados.

Atualmente as pessoas não vão além do que é sensível numa comunicação, não passam da pura reação à forma superficial de qualquer uso de linguagem. No momento em que o estímulo sensível da linguagem foi computado, vai-se além, para outra coisa ou para a própria expressão de sua reação, sem que quase ninguém se atenha para ler efetivamente com atenção, para pensar a respeito do que a pessoa que escreveu ou falou podia estar realmente tentanto comunicar. A linguagem, mesmo num texto, interessa como puro estímulo sensível e ponto. Fiz este blog por valorizar a retórica, coisa que me parece muito esquecida, mas sorrateiramente ela reina suprema, e aquele post era apenas a conclusão lógica de que seu domínio hoje em dia é ainda maior (e agora assustador) do que eu supunha de início.

Isso pode vir de costume, cultura ou sei lá, mas merece ser chamado de analfabetismo funcional, porque ainda é uma variação de recitar a letrinha sem entender a frase. Pior: o simples fato de a maioria das pessoas lerem assim faz com que quem escreve ou fala esteja sempre tentado falar ou escrever no mesmo sentido, ou seja, priorizando frases de efeito e termos-chave em vez de raciocínios e problematizações. O domínio da interpretação superficial converte a cada dia gente para se tornar em produtores de superficialidade.

domingo, 21 de novembro de 2010

Provocação para criar um videolog

Os 27 anos da Rádio Ipanema foram comemorados hoje no Anfiteatro Pôr-do-Sol, um lugar para shows abertos, na beira do Guaíba.

Nisso, como queria ter filmado um morador de rua, com seu carrinho de compras vazio na frente, dançando Dívida, do Ultramen, superanimado e soltando o gogó em "Aquela dívida de uns anos atrás está bem viva", além do cachorro que vinha com ele e que parou pacientemente enquanto o cara dançava.

PS: A grande entrada do Leopoldina na música brasileira.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Intolerância estética

Desde que mudei o design do blog eu pensava em ciclar um pouco pelos visuais de que mais gostei. Nunca tinha feito isso até hoje, em que mexi um tanto testando uma possibilidade, outra, e correndo a página... Até que me decidi por um determinado formato e apliquei. Entre as mexidas e a aplicação, perdi um seguidor! Ficou na formatação antiga?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Outro post roubado

Eu ia falar sobre essa coisa de desculpar os candidatos de uma eleição por santinhos "apócrifos" (como se houvesse uma pá de brasileiros superpolitizados, temendo botar a cara a tapa por medo de algum coronel em plena São Paulo ou outra metrópole e sempre com uma gráfica nos fundos), mas a Polícia Federal foi lá e coletou provas, a Isto É passou à minha frente estampando na capa, e o post morre apenas neste registro de intenção... Ah, a matéria é interessante, se não deram uma olhada!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Do aborto

Eu fiz um post sobre o comentário de Luiz Bassuma, Nunca poderemos dar ao estado o poder de matar!", em que critiquei tal expressão moralista como retoricamente vazia, porque o Estado tem o poder de matar e funciona, em grande parte, pelo domínio desse mesmo poder, em detrimento do poder dos cidadãos de matar. Ele falou isso discutindo o aborto, atual mania do horário eleitoral, então achei que o post poderia dar a impressão de que defendo a posição radical de que o SUS deveria fazer todo e qualquer aborto, desde que a mulher peça, só que eu não defendo isso. Como fui interpretado assim, ainda bem que a Leo teve coragem de não só criticar meu blog pelo monitor e virar a cara, mas efetivamente comentar no post falando contra a proposta que tramitou como proto-posição de campanha, até ser derrubada definitivamente pela que existe agora no PT: a Dilma tem as opiniões pessoais dela, mas o partido seria contra. Graças a isso, resolvi fazer este post esclarecendo umas coisinhas.

Como disse, eu estava criticando a forma como Luiz Bassuma apresentava a questão, que me parecia simplesmente irreal. Se o Estado pode matar um criminoso, um assaltante, ou quem seja, o Estado pode matar. Que esse poder não justifica diretamente que ele mate um feto, eu concordo, mas eu não estava dizendo que o Estado deveria poder matar um feto, apenas que, se pararmos para pensar na situação atual, ele tem exatamente esse poder. 

Se só um órgão do governo pode dizer quem tem o direito ao aborto, nossa situação atual, então o Estado tem o poder de matar durante a gestação, e esse poder seria do cidadão se uma nova lei liberasse aberta e indiscriminadamente o aborto, desde que feito com dinheiro público. Liberar o aborto e não bancar é o mesmo que discriminar por classe, porque a cirurgia, para ser bem feita, custa dinheiro. Não me parece que ninguém acredite que o aborto não seja prática de gente com grana (não estou nem falando dos propriamente podres de ricos) atualmente, o que significa também que liberar e não pagar com dinheiro público é mais ou menos manter as coisas como estão, apenas barateando um pouco o processo para quem já consegue pagar. 

Por outro lado, se a liberação barateasse muito, o aborto se tornaria exatamente aquilo que a Leo comentou como resultado da liberação no SUS: ele viraria "método anti-concepcional" no sentido mais cotidiano do termo. Bom, ele efetivamente funciona assim para quem pode pagar. E se o "pobre" não tem a desculpa de não ter usado camisinha, de não ter tomado pílula, ou seja lá o que for, o "rico" tem? Existe um caminho tortuoso de argumentação que pode seguir daí, mas não vou usá-lo porque acho que a questão, posta por aí, está errada. Discute-se a partir da lei atual, e a realidade, como bem disse a Heloísa Helena, é usada apenas como argumento para defender a liberação geral no SUS. Ou seja, a argumentação pula de lei para lei, usando a realidade como um dado que não poderia receber outro tipo de tratamento ou solução. Pois bem, eu gostaria que a coisa toda fosse lida de realidade para realidade, tratando a lei apenas como trâmite entre esses dois momentos. Como as coisas são e estão? Quais os reflexos sociais da nova lei, se fosse implementada em sua forma mais literal? Quantos abortos são feitos e quantos efetivamente seriam feitos?  Qual a relação entre o custo das novas operações e os gastos públicos com as mortes ou malefícios resultantes dos abortos feitos em casa por mulheres que não querem seus filhos, mas não podem pagar por uma cirurgia? Quantos casos de aborto (por estimativa) não são relatados à polícia (por todos os motivos que imaginamos e por quantos mais não podemos nem supor), e quais as consequências disso para essas mães, e para as crianças? Que políticas públicas poderiam ou deveriam mudar, caso a regra fosse alterada? Quais os problemas da atual legislação, problemas reais, práticos, que justificam sua alteração? Seria possível uma meia-alteração, sem reprisar a situação atual, como eu disse acima? 

A nova lei tem cara, para mim, de uma sublimação da vontade de tantos governantes de simplesmente trancar a reprodução na marra. Não vamos cortar o barato de todo mundo nem impor números de filhos, o que não seria condizente com a imagem do político legal, vamos deixar que eles mesmos matem quantos filhos quiserem, desde que antes do nascimento. Bom, se essa é a intenção, então vamos discuti-la, e renegar, se for o caso, isso ou suas variantes. Mas que se discutissem consequências e problemas reais. Não entrar com platonismos a respeito do valor da vida em relação ao Estado, ou meter Deus na história. Óbvio que o Ser Supremo vai entrar na conversa, mas que não se fique nisso, nem se romantize o que o Estado quer com a gente.

Para registro: por essas e outras, eu não tenho uma opinião fechada a respeito do aborto. Considero o tema absolutamente espinhoso e complicado, de modo que não acho nada tão firme nem a favor nem contra a prática, em todos os pormenores por que se desdobra. Eu não consigo nem expressar bem, acredito, exatamente quais as minhas críticas a essa questão toda de debater a liberação no SUS. Por isso, não posso defender as propostas do PT a esse respeito, mas não conheço tantos argumentos contra, já que poucos querem discutir a questão de verdade, a sério (não estou falando do teu comentário, Leo, mas, como era o caso, do Bassuma ou do programa eleitoral do Serra). Só o que interessa agora é qual opinião dá mais votos.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Critérios para a democracia!

Quando a crise do Mensalão estava no auge, surgiu uma série de critérios sobre como NÃO votar, inclusive com a volta da dica do Ziraldo: "Se os caras que estão lá são ladrões, não reeleja ninguém". Mas nossa cultura deve se adaptar aos novos tempos, e eu venho aqui (não muito longe, afinal, vim ATÉ meu próprio blog) acrescentar um critério à lista, pelo menos à minha, adaptado à forma contemporânea de se fazer política:

Não votarei em nenhum dos políticos cuja equipe de campanha me mandou spam.

Farei campanha contra os políticos cuja equipe de campanha me enviou spam hipócrita, como "Obrigado pela confiança!"

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Bizarrices do espaço-tempo, ou "esclarecendo post anterior"

Às vezes eu deixo a desejar na clareza, aqui, e realmente devo passar aos leitores coisas contrárias às minhas crenças e valores. Por exemplo, num post de muito tempo atrás, que não vou catar agora, eu convidava linguistas a comentarem determinado fenômeno que eu mostrava causar tilts na gramática normativa. Como pude comprovar, linguistas podiam entender que eu estava os confundindo com gramáticos. Puderam pensar isso porque eu achava totalmente implícito que eu não faria uma confusão dessas, tão implícito que não dei nenhuma indicação no texto de que eu não fazia tal crime. Na verdade o que eu queria era que comentassem o fenônemo do ponto de vista deles, tendo eu discutido a questão do ponto de vista da gramática normativa.

Hoje aconteceu de novo. No post logo abaixo, coloquei o título "Foda-se o mundo, EU tenho um cargo público". O "eu" em questão não sou eu, Tigre, porque não tenho um cargo público. Só que, como meu chefe é do Estado, por uma loucura administrativa, e como refiro no post que recebo ordens do Estado, sem explicar em nenhum momento que isso não me torna funcionário público, causei um mal-entendido tão feio que pensei em deletar o post. Primeiro eu explico a confusão, depois explico por que eu não deleto, nem mudo o título agora mesmo.

O "eu" se refere às pessoas que efetivamente fazem parte do Estado e que são, tecnicamente, meus chefes. Essas pessoas mandam o mundo se fuder (eu e meus colegas), dispondo do poder que detêm sobre nós de forma irresponsável, a meu ver, desrespeitando tudo o que fazemos para ter, com nossas aulas, um resultado construtivo e relevante. Eles não são totalmente incompetentes, nem todos são necessariamente incompetentes, mas eu estava irritado, pô!

Agora, não deleto o post anterior porque, quando o escrevi, na verdade eu já era um funcionário público e não sabia. Acontece que fui chamado em um concurso, mas não me avisaram. Fiquei sabendo no fim da tarde, bem depois de escrever o post. Portanto, não só meu texto poderia dar a entender que eu estava mandando o mundo se fuder por ser funcionário público (que eu acreditava não ser) quanto minha segurança de que essa leitura seria totalmente inválida era infundada, já que alguém poderia, antes de mim, saber que eu tinha sido chamado e associar o fato ao título sem eu nem suspeitar da coisa toda. Enfim, fica o post pelo acidente, para me lembrar de escrever apenas quando estiver concentrado, com a firme consciência de que a falta de contexto dos leitores e minha vontade de expressar algumas opiniões com certa força podem causar grandes manchas no blog...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Roubando selos

Eu não sei se é algo que realmente blogueiros indicavam para o blog do outro, mas, como estou justamente interessado na opinião dos leitores e o selo indica antes a voz do dono do blog que dos visitantes, roubei a seguinte imagem, duvidando que seja realmente um selo a ser atribuído:


De agora em diante ele fica na lateral, deixando bem claro que eu estou não apenas disposto ao diálogo como interessado nele. Abraço de mais este fora-da-lei do Leopoldina.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Dilma & Serra - ou Reescrevendo Minhas Opiniões

Peço desculpas pelo post sobre as mudanças de programas da Dilma. Nele, eu ignorava um detalhe sobre Serra, apesar de minha conclusão ter sido acertada. Não é que o "presidenciável" não tivesse criticado Dilma por ter trocado de programa no TSE, era apenas que minha semana atribulada tinha de alguma forma me desviado dos lugares em que a mídia divulgou essa parte. Tudo bem, ele vai mesmo mudar de programa, como eu suspeitava, e vai conseguir fazer pior ainda, do meu ponto de vista: pediu ideias de contribuições dos internautas.

Pior ainda? Bom, minhas críticas a respeito, naquele post, tinham por base a crença de que um programa, para convencer que é sério, precisa estar pronto antes de a campanha oficial começar, além de ser seguido pelo menos no começo do governo (abramos exceção para um contexto que mude radicalmente a situação do país, como uma invasão de macacos cientistas ou um surto de valorização da educação). Mas eu preciso revisar minhas crenças. Mesmo sendo opositores, FHC e Lula indicaram que é unanimidade entre governantes que se é presidente do Brasil por 8 anos. Durante os primeiros quatro anos, na verdade, aprende-se onde são os prédios, a que secretários pedir o que, quantas passagens aéreas de graça se ganha e quantas podem ser reembolsadas, além da importante adaptação às horas de trabalho, descanso e viagem. O programa de governo da campanha, portanto, é apenas para constar, e pode ser apresentado até no dia da eleição. Informa, obviamente, medidas que seriam implantadas apenas após quatro anos de mandato, quando se é reeleito para finalmente governar de verdade. É claro que, na nova eleição, novos planos precisam ser criados, já que em quatro anos ALGUMA coisa acontece, sendo necessariamente a situação do país outra, então.

Peço, novamente, desculpas, pela reação despropositada naquele post. Até parece que não nasci no Brasil. Mas voltei a mim e estou até pensando em propor pelo twitter que Serra faça um quadro no Faustão para podermos contribuir e concorrer a prêmios ao mesmo tempo. Dilma podia participar: para ela a equipe vermelha, pelo Serra a equipe azul, claro. Dessa forma, ainda que indireta, pelo menos esse "Programa do Governo" beneficiaria alguém.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Correção

Quem leu o post abaixo antes da mudança, não me estranhe: na pressa de sair, eu postei sem verificar a mensagem, esquecendo de dizer que a frase era uma citação. Mas, como diria a Dilma, errar é humano.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Visual

Meu, que dificuldade escolher um novo design! Eu tinha minhas críticas ao anterior, mas tanto a falta de paciência quanto o carinho pelo layout original me impediam de tentar mudar.

Por isso mesmo, dei mil voltas para cair na releitura. Tentei manter as cores e a distribuição, trocando o geral mais porque senti o aumento do espaço de texto, o que muito me interessa. Torço para que o novo formato (mais uma manifestação de como o facebook afetou como esses caras pensam estética hoje em dia) agrade aos leitores e não se revele uma incomodação para os olhos.

Na verdade, a dúvida foi tanta que pensei mesmo em alternar de vez em quando... vamos ver.

Bom, apesar da digressão, entrei mesmo para postar, então, aí em cima, já vai a estreia do novo formato.

sábado, 17 de abril de 2010

Desdenhado

Alguém sabia que eu perdi um seguidor? (Com esse termo traduzido tão literalmente, cabe a pergunta: se ele me seguia, foi ele quem se perdeu?)

Caso grave: não sei quem foi. Era com certeza um sem imagem no perfil, ou saberia quem é. Também sei que não era um conhecido. Recentemente recebi uns comentários de um Anônimo, os quais foram muito criticados por outra seguidora, muito importante. Será que ele se incomodou? Será que era ele? Pelas dúvidas, pela ausência de imagem e nome ou nick gravado em minha mente, estou realmente inclinado a pensar que era um anônimo. Lembro de comentários de outros que os listados na minha área de comentaristas, mas esses, como minha cara cunhada, não são seguidores do blog, ainda que leiam um monte dele...

Las, Ana, Leo, Clark, Carla, Matuto, Vida, Bianca, Lady, Giovani, Márcia e Florzinha, não me creiam insensível com vocês, que me conhecem, que comentam, que eu sigo ou, pelo menos, de quem o nick me chamou muita atenção para não lembrar. Acontece que a anonimidade daquele que me abandona vai muito longe. Será, por exemplo, que me achava de "direita", e se incomodou com um post de "esquerda"? Ou será o contrário? Será que me achava ateu? Cristão? Decepcionou-se quando me achou espírita, agnóstico, animista? Teria ele (ou ela) acreditado que eu, Tigre, falaria mais sobre animais? Esperava de meus posts mais carinho pelos seres humanos?

Enfim, um comentarista, que entrou discretamente, sai sem fazer barulho, respeitoso dos espaços e de quem declara publicamente que lê o que aqui é escrito. Se voltar, poderá me xingar por não ter lembrado quem era, mas torcemos que venha com nick e que traga mais gente, um número par de seguidores fica mais bonito na página.

domingo, 7 de março de 2010

Blog e docência no divã

Até onde entendo, na nomenclatura freudiana, eu seria um neurótico. Ou seja, uma pessoa como a média da população socialmente funcional, alguém que passou por Édipo de forma suficiente (aparentemente não há como ganhar A com estrelinhas nessa prova), com a quantidade devida de recalques e perversões (nomenclatura não tão grave quanto aparenta), enfim, com a formação de um superego forte (bem forte, no meu caso, dizem) - estou, é claro, sendo retórico, sim, aqui; se psicólogos se reviraram lendo, por favor, me digam o porquê, mas também peguem a ideia e sigam adiante com boa vontade.

Este blog, de um neurótico, não poderia deixar de ser neurótico também, ou seja, de sofrer os efeitos de um superego, conhecido nas mídias como "autocensura". O que no início foi crucial para sua formação (assim como foi na minha personalidade), exigência mesmo de forçar a mão no "retórico" para chegar ao efeito que queria sem necessariamente usar as palavras mais simples ou diretas, é agora um entrave. Pelo jeito, meu blog precisa de terapia.

Sempre ouvi muitas frases sem sentido ou raciocínios idiotas e engraçados por todos os lados, e foi, em parte, minha mania de debochar deles que fez com que algumas amigas insistissem que eu fizesse um blog, mas agora a maioria das idiotices que ouço são tão contextualmente imbricadas e tão ligadas a meus chefes ou contratantes diretos que tem ficado difícil transformá-las em posts sem desrespeitar minha autocensura.

Por algum motivo obscuro, eu, que dou muito menos valor a palavras que a ações (numa desproporção gigante se comparada a meus colegas de Letras em geral), sou menos constrangido em enfrentamentos práticos que em acusações verbais ao léu, de modo que os riscos que tomo na prática não aliviam o superego do blog. Provavelmente porque sei o quanto as pessoas gostam de se iludir com o poder das palavras, confundindo seu caráter "performativo" com as velhas palavras mágicas ("Cuidado, dizer aluno implica violentar a cultura do educando, e dizer o nome do Canhoto atrai!"). Se eu escrevesse algo grave aqui, as palavras poderiam ser evocadas em sentido desproporcional, eufemisticamente puxando a luta para frases soltas num blog, desviando a atenção de onde a crise realmente está. E isso é justamente uma das coisas que mais odeio nas discussões médias da humanidade, o que só consigo chamar de argumentação eufemística, fundamentalmente hipócrita: o que está em jogo fica esquecido para que se use todas as armas numa disputa verbal que seria vazia não fosse ela representar refratariamente a luta real. Como pessoas evocando a história de uma palavra para discuti-la num contexto em que o sentido dela é atual, outro, mascarando a verdadeira disputa e tentando usar dicionários filológicos como se fossem enxadas (pior, acreditando que ambos são a mesma coisa).

Em discussões, eu sou objetivo demais para isso. No blog, sou objetivo de menos. E relações de emprego envolvem demais justamente esse nível de disputa, com o abuso de poder, no meu emprego atual (mesmo que eu não seja ainda um dos mais prejudicados), aplicado particularmente para forçar que sigamos eufemísticos, com um leve relaxamento da hipocrisia para ameaças de demissão a cada reunião. Essa demonstração de poder francamente não me impressiona, e fico feliz de ver como também não impressiona grande número de meus colegas, de forma que a parca força retórica disso tudo me deixa ainda mais intrigado com o fato de que quem "manda" com tanto gosto, nesse caso, está realmente tão iludido quanto eu imaginava.

O caso ainda piora por um detalhe que já indiquei, mas que talvez tenha sido lido como redundância ou ênfase: mencionei "meus chefes ou contratantes" querendo dizer que o abuso vem de uns ou de outros, conforme o momento, ou seja, meus chefes e meus contratantes não são os mesmos, não na prática. Essa estrutura esquizofrênica obviamente não casa bem com minha estrutura neurótica, pois afinal a vantagem de estruturar a personalidade assim é justamente não sofrer fracionamentos. Alguns colegas meus, experientes professores do estado, conseguem apelar para a estrutura perversa: lidar com as regras mais ou menos como House (com ainda mais descaso). Outros abandonam o barco. Demitem-se cansados, irritados e ressentidos. Outros ainda procuram meios-termos, categoria em que me encaixo, ao que parece, mas da qual não sou ótimo representante, porque estou tentando forçar que os esquizofrênicos sejam neuróticos, ou seja, tentando unificar o discurso de chefes e contratantes, entre os quais, se eu fracassar, devo ter de escolher radicalmente um lado contra o outro ou me tornar um gênio da matemática hollywoodiano.

Mas como passar as besteiras que ouço para o blog respeitando sua forma, sem apelar para a repetição de críticas às asneiras sobre o sacerdócio do professor, discurso de que os próprios contratantes desistiram, e que mesmo assim um colega materializou com o uso direto da palavra, em nossa última reunião, evocando o exemplo de Madre Teresa de Calcutá (a psicologicamente violenta fundamentalista católica)? Felizmente, o papo empresarial de que nós (contratantes, contratados e chefes) somos uma família acabou.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Roubaram uma introdução do Clark

Vejam se essa introdução não podia começar um post do blog "Em Metrópolis":

"Nunca antes na história deste país um partido se vangloriou tanto de feitos que não realizou. É o caso do PT."- Maílson da Nóbrega

Tirando o fato de que "É o caso do", que poderia indicar a revelação daquilo de que o autor fala, parece antes anunciar um exemplo de um fenômeno geral (o PT é um exemplo de partido que se vangloria do que não faz), contrariando o "Nunca antes" da primeira frase. Enfim, o texto podia ser do Clark num momento desatento ou muito indignado.

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Fora isso, realmente o que chama a atenção no texto é a mania de ser erudito da linha direitista (não estou igualando "se opor ao PT" com direitista, é claro, mas como classificar Mailsonzinho de outra forma?). Acho difícil não lembrar do populismo e do linguajar chulo (porém eficiente) do Lula em oposição a frases como estas, do mesmo texto:

"Os petistas se jactam de ter mudado o país."

"É um grande tento, que requereu doses elevadas de desfaçatez."

Pô, forma ainda é conteúdo. Tudo bem que se escreva em português castiço, ou que se use um termo mais raro quando é exatamente o que queremos dizer, mas não precisa escrever como faziam políticos recém saindo da ditadura. Se soa como história para boi dormir, não precisa ser o Lula para roncar no primeiro parágrafo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Dos "elogios" [X+1]

Não é sobre matemática ou lógica este post. Ninguém se assuste. Acontece que eu costumava receber elogios dos quais, em geral, não gostava nada, mas compreendia pelo contexto que a pessoa pretendia me elogiar dizendo seja lá o que fosse. Teriam dedicada a eles uma sessão de meu blog, se este fosse mais velho. Esses "elogios" decididamente entre aspas rarearam com o tempo, mas de vez em quando ainda aparecem, como hoje, por exemplo. Então, X é o número dos "elogios" que recebi antes de começar o blog, e hoje adiciono o primeiro de minha era blogueira, torçamos para que novos sejam raros:

"O Sr. mentiu pra mim. O Sr. não é professor, é diretor. O Sr. vai ser diretor de colégio."