segunda-feira, 7 de maio de 2012

Inovação e intolerância

Puta merda! É eu ficar um tempinho longe do Blogger que ele muda totalmente! E, claro, pra pior, pelo menos para quem não fica aqui sempre (como eu ficava), para ficar se adaptando de verdade.

Hoje que eu pude escrever novamente um post, depois de quase um mês, me deparo com isso. Assim não pode, assim não dá!

O engraçado é que eu ia comentar justamente sobre o aumento da minha intolerância. No caso, eu ia falar de intolerância religiosa. Talvez "religiosa" nem seja o termo adequado, já que sigo desrespeitando as mesmas religiões e respeitando as que eu já respeitava também. O mesmo eu poderia dizer sobre as práticas religiosas mais dogmáticos de pessoas que conheço. No entanto, minha tolerância anda baixíssima para frases como "Isso atrai X", "Aí a gente fica com a energia das pessoas...", "Nada nessa vida acontece por acaso!"

Esta última, em particular, me surpreende. Que eu soubesse, na grande luta entre diversas religiões, bem como entre ateus e religiosos em geral, uma coisa muito em disputa é quantas coisas acontecem por acaso. Agora, sempre se discutindo SE algumas (poucas) acontecem por acaso ou não. Daí a "nada" acontecer por acaso são bem outros quinhentos. Nada, nada? A menos que se seja adepto da doutrina do plano divino, aquele que é tão total que anula até a reza, já que está tudo traçado nos mínimos detalhes, e nossa vida é apenas o teatro da vontade desse Deus ultradominador, a menos, portanto, que se seja tanto exagerado quanto bem literal na interpretação do que é "plano divino", dizer que "nada é por acaso" é uma afirmação violentíssima.

É verdade que a parte de "nessa vida" também me provoca. Qual a outra vida? Claro que uma pessoa que diz isso confia que existam almas, mas faria sentido regrar os mínimos detalhes da existência carnal e deixar a vida espiritual ser um carnaval? Por isso essa gente quer ver sentido em cada sofrimento da vida? Para soltar geral depois da morte?

Enfim, eu dizia que ia comentar da minha queda em tolerância religiosa, ou de crendice, mas minha tolerância com a compulsão por mudar visual de site também tá bem ruim. Não é só os faces e twitters que querem sempre mexer em mais um detalhe: a enorme maioria desses detalhes não faz a menor diferença. Ou seja, é sim só estético. É sim só a mania moderna do marketing de que TUDO tem que mudar de visual ou não será in, não vai ser aceito, não vai atrair o bilhonésimo jovem.

E talvez não atraia mesmo. Provavelmente isso é um dos grandes ridículos de uma sociedade capitalista: que se precise sempre ir atrás do jovem, por definição um sujeito que sabe menos e tem maior probabilidade de ser imaturo do que todos os que passaram por aquela fase e conquistaram real poder de compra.

Bom. Acho que ando mais intolerante em geral, né? Talvez seja o momento para voltar a escrever no blog. A internet tem sido um campo fértil para todo o mundo que não aceita mais o proverbial Outro.

PS: Até procurei uma imagem para colocar neste post de retorno, mas a "intolerância" parece ser um problema particular para quem não consegue digerir lactose. O que mais achei foi foto de leite!

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