quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Lentos e graduais

Minha atual perspectiva: os alunos adultos de programa de apoio do governo para quem não completou o fundamental levam meses penando para receber o direito de comprar passagens como estudantes, pagando então metade do que precisariam para andar de ônibus. Pagando, diga-se, do próprio bolso antes e depois de receberem o direito à carteira escolar. Seus professores esperam há meses por que lhes paguem os vale-transportes previstos ao serem contratados.

Minha atual leitura: os senadores aprovaram que eles próprios podem usar a verba de passagem aérea que sobrou de 2009, contra decisão de abril passado, que proibia exatamente isso. A justificativa da ação: os senadores ainda não se acostumaram com essa nova regra, não foi previsto período de transição!

Quando o eufemismo só piora

Foi sepultado em São Paulo, no dia 5 de janeiro, o coronel reformado do Exército Antônio Erasmo Dias. A "notícia" que li resume o destaque de sua carreira da seguinte forma: "Sua missão mais POLÊMICA foi o cerco à Pontifícia Universidade Católica (PUC), em 22 de setembro de 1977, quando prendeu 900 estudantes e os levou ao quartel da temida Rota e ao Dops, a Polícia política. A tropa de choque lançou bombas incendiárias contra os manifestantes que pretendiam refundar a União Nacional dos Estudantes."

Isso está tão, tão, TÃO longe de ser uma missão "polêmica" que o uso da palavra na frase beira o neologismo (ou realmente o é). Algo precisa ser discutível para ser polêmico, por favor. Ou esse texto foi escrito DENTRO de um quartel, ou até Houaiss precisa revisar seus conceitos.

Sociabilidade moderna

Uma página de recados do orkut cheia de moças sorridentes... Tô bem, tô bem...

Verão: momento de visitar o Interior

As chuvas se tornaram tão importantes para as manchetes do Rio Grande do Sul que o Correio do Povo resolveu fazer primeiras-páginas que só falam disso, como a de hoje. Cada manchete do jornal mostra um aspecto destruidor das águas. Mas o que me deixa tranquilo, feliz no meio da destruição e confiante num Rio Grande melhor é a recorrente fotinho da Yeda in loco fazendo cara de séria. Com certeza ela estar presente para olhar mais um ponte que caiu vai fazer toda a diferença para seu planejamento. De fato, se Bush tivesse ido ao Oriente Médio franzir o cenho na frente de soldados americanos mortos, a guerra "contra o Terror" já teria terminado.

O fato de que estar in loco permite estar apenas em um dos diversos pontos que enfrentam problemas pela chuva não deve nos desanimar. A intenção da governadora com certeza não é ver tudo o que está arrasado ou arruinado, ela sabe não conseguir estar em todos os lugares ao mesmo tempo. O que ela quer é não estar em um lugar muito específico. Qualquer outro vale. Ela tem razão: Porto Alegre está em sua época de cansativo abafamento. O calor da capital e a atração tão popular por mortes e destruição redundam na conclusão de que não é hora de ficar na capital, mas sim de pegar o helicóptero e ir assistir tragédia - nunca se esquecendo da careta de seriedade.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Voz do povo, voz de Deus, aê!

- E ela viu ele?

- Viu. Quer dizer, (viu) entre parênteses, né? Deu oi, tchau, foi embora.

A mutabilidade da língua não é linda? Já que parênteses viraram marca de conotação, vou logo me adaptar e começar a passar em aula. Tá na boca do povo, é lei!

Atendimento ao cliente

- Oi! Este número não existe...
- Oi! Este número não existe...
(Uma amiga comenta comigo que essa mensagem às vezes é ativada só porque o número está ocupado. De fato, como comprovei ligando de novo.)

- Empresa Tal, boa tarde!
- Oi. Eu queria saber sobre a minha inscrição, que não foi homologada.
- Só um minutinho que eu vou te passar para o setor.

Tã rã rã rã rã tã, tã rã tã rã tã rã. Tã dã dã tã tã nã. Tã rã rã rã. Tã nã nã. Tã dã dã tã tã nã...

A MESMA pessoa pega o telefone e diz:
- Empresa Tal, boa tarde!
- Oi. Eu queria saber sobre a minha...

Tã rã rã rã rã tã, tã rã tã rã tã rã. Tã dã dã tã tã nã. Tã rã rã rã. Tã nã nã. Tã dã dã tã tã nã...

A MESMA pessoa pega o telefone e diz:
- Empresa Tal, boa tarde!
- Minha inscrição...

Tã rã rã rã rã tã, tã rã tã rã tã rã. Tã dã dã tã tã nã. Tã rã rã rã. Tã nã nã. Tã dã dã tã tã nã...

OUTRA pessoa atende:
- Empresa Tal, boa tarde!
- Oi. Eu queria...

Tu tu tu tu tu tu tu tu...

Alarme light

Quem vai sair de carro em Porto Alegre hoje fique avisado que uma "inspeção pode tirar das ruas veículos poluidores". Ou seja, ela também pode deixar os veículos poluidores exatamente onde estão, portanto o aviso não é tão preocupante.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Explicitando pra deixar claro e iluminar a questão de forma didática

Pintura gigante em paredão do Centro:

LOCADORA DE FILMES PORNÔ

LANÇAMENTO DE GRANDE FILME PORNOGRÁFICO

CENAS DE SEXO EXPLÍCITO

Ok. Que outro tipo de filmes pornôs eles conhecem?


domingo, 3 de janeiro de 2010

Ano da Suécia no Brasil

A aeronáutica quer mesmo é avião sueco. Não tem problema: já é 2010! A gente não deve mais nada para os franceses, certo?

Eufemismo diplomático

Chávez acusa mais uma vez os EUA de estarem fazendo manobras no espaço aéreo venezuelano em preparação para agressão militar contra o país. Os norte-americanos defendem-se dizendo que estão apenas realizando operações contra o tráfico de drogas. Ok, mas isso, no caso do governo de Chávez, não é dizer a mesma coisa?

Acordo Internacional Nacional

Faz tanto sentido ter a palavra "acordo" no "Novo Acordo Ortográfico" quanto ter a palavra "Unidas" no nome da ONU. Essa ideia toda de pessoas concordando, encontrando meio-termos, fazendo concessões e ao mesmo tempo tendo voz é, pelo jeito, demais pra pobre da cachola humana mesmo. Que o diga quem foi a Copenhagen recentemente.

Talvez eu esteja sendo muito condescendente se disser que, no Brasil, umas vinte pessoas eram a favor do Acordo. Classe, etnia ou gênero algum tinha interesse nisso além dos diretamente envolvidos no planejamento e dos vendedores de dicionários e gramáticas (não contados nos 20 acima, claro, já que seu interesse vinha do mercado e não de opinião filosófica a respeito). Quem não fazia ideia do que era o tal negócio, quando lhes era explicado, soltava um pff ridicularizante pelos lábios e torcia a boca criticamente para já em seguida xingar os políticos.

Apesar de ser um bom brasileiro (ou seja, ter memória curta), lembro que os defensores, contra todas as críticas, levantavam uma última bandeira: nós estamos liderando o processo. Retratando o Brasil como um país que sempre vai na onda dos outros, o pessoal achava que levar uma merda adiante era bom porque, pelo menos, nós estávamos encabeçando a ação internacionalmente. Para variar, esse "nós" se refere a uma ínfima reunião de pessoas, mas isso não vem ao caso no momento. O que vem ao caso é que, pelo jeito, todo esse "nós" apostou no cavalo errado: lançamos a bosta, mas ela era de curto alcance. (Nem pra acertar no ventilador, Brasil?)

Enquanto nenhum outro ratifica a coisa de verdade, além do Brasil, Portugal, que ainda guarda o maior peso simbólico, pelo visto, tem fortes movimentos de resistência. Jornais relutam, o sistema de ensino não adota mudanças, intelectuais protestam. Vasco Graça Moura levanta um argumento para seguir lutando contra: se é um "acordo", qualquer país que não aceitar tira a razão de os outros fazerem a reforma; José Mário Costa responde com argumento nenhum: "Não há possibilidade de recuo. O acordo está em vigor."

Note-se que Vasco usa pressupostos democráticos para desmerecer o Acordo. É por isso, claro, que o processo andou apenas no Brasil. Nem damos bola para nossa pobreza como alguns países africanos nem entedemos o que sejam pressupostos democráticos. Tanto que, em Portugal, 57,3% dos cidadãos não aceitar a reforma é referência para discussão. Francamente, quantos porcento dos brasileiros (ainda que contando apenas os alfabetizados) são contra o Acordo? Que valor isso teve? Todos ignorados por uma merda que reaquecerá nosso mercado fazendo com que, sendo otimista, 1% de nossa população total compre dicionários novos, sabe-se lá quando?

Não creio que a bobajada toda vá dar para trás, realmente. Acho que a mudança ainda pega, nem que seja como regras vigentes apenas no Brasil e num que outro desses países, e então nosso pioneirismo ficará gravado na história por um "mas": somos os líderes de uma palhaçada, mas pelo menos somos os líderes.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

CDF-cidadão (chamando a atenção...)

O estado das estradas do RS está uma calamidade, um absurdo se lembrarmos que pagamos pedágios! Apesar de ainda ser possível ler durante a viagem, é quase impossível sublinhar as partes importantes. Mesmo onde o asfalto está melhor, fazer anotações é um exercício de paciência. Até estudar em ônibus na cidade é mais fácil. Assim não pode, assim não dá!